7 min de leitura · DataRoad
Em resumo
- A exploração de falhas de software passou a ser a porta de entrada mais comum nas violações de dados: 31% dos casos analisados pela Verizon em 2026.
- As empresas demoram, em mediana, 43 dias a corrigir por completo falhas críticas que já estão a ser exploradas. Os atacantes não esperam tanto.
- Atualizar já: firewall e acesso remoto (VPN), sistema operativo e browser. Pode esperar e ser testado: novas versões grandes e atualizações de funcionalidades.
- A solução não é heroísmo: é uma política escrita, um responsável e uma janela de manutenção mensal.
Neste artigo
As atualizações informáticas adiadas são hoje uma das formas mais baratas de um atacante entrar numa empresa. A resposta direta: as correções de segurança da firewall, do acesso remoto, do sistema operativo e do browser devem ser aplicadas em dias, não em meses. O resto pode — e deve — seguir um calendário com testes. O que não pode é depender de alguém “ter tempo”.
O botão “lembrar-me mais tarde” parece inofensivo. Multiplicado por 40 computadores, três servidores e uma firewall que ninguém atualiza desde a instalação, é uma porta aberta com data marcada.
Porque é que o “depois faço” sai caro
O relatório de violações de dados da Verizon de 2026 traz três números que qualquer administrador deve conhecer:
- 31% das violações analisadas começaram pela exploração de uma falha de software — passou a ser a via de entrada mais comum, à frente do uso de credenciais roubadas.
- Só 26% das falhas críticas da lista de vulnerabilidades exploradas da CISA (a agência de cibersegurança dos EUA) foram totalmente corrigidas em 2025.
- O tempo mediano para as corrigir por completo subiu para 43 dias (eram 32 no ano anterior).
Quando um fabricante publica uma correção, está também a anunciar ao mundo que aquela falha existe. A partir desse momento, quem não atualizou passa a ser um alvo conhecido.
Exemplo: quanto custa um dia parado
Exemplo (pressupostos ilustrativos, não dados de um cliente): uma empresa com 30 postos de trabalho fica sem sistemas durante um dia útil de 8 horas por causa de um ataque que entrou por uma falha por corrigir. Se o custo médio de cada hora de trabalho for de 20 euros, só o tempo perdido custa 30 × 8 × 20 = 4.800 euros — antes de contar faturação parada, recuperação de dados, horas de técnicos e clientes insatisfeitos. A janela de manutenção mensal que teria evitado o problema custa uma fração disso.
O que atualizar já — e o que pode esperar
Nem todas as atualizações são iguais. A regra prática é separar correções de segurança (fecham falhas) de atualizações de funcionalidades (trazem novidades e mudanças).
| O quê | Exemplos | Prazo que recomendamos | Porquê |
|---|---|---|---|
| Firewall e acesso remoto (VPN) | Firmware da firewall, portal de VPN | Dias; horas se a falha estiver a ser explorada | Estão expostos à internet: são os primeiros a ser atacados |
| Sistema operativo | Correções mensais do Windows e do macOS | Até 2 semanas após a publicação | Falhas conhecidas publicamente a partir do dia da correção |
| Browser | Chrome, Edge, Safari | Automático, com reinício forçado | É por onde passa quase todo o trabalho e quase todo o phishing |
| Aplicações de escritório | Microsoft 365, leitores de PDF | Automático | Anexos maliciosos exploram estas aplicações |
| Servidores | Servidor de ficheiros, software de gestão | Na janela mensal, com backup prévio | Críticos para a operação: atualizam-se com plano |
| Novas versões grandes | Mudança de versão do Windows, nova versão do ERP | Planeado, após teste | Podem mudar o funcionamento e exigir validação |
O que pode esperar (com critério)
- Atualizações de funcionalidades do sistema operativo, até serem testadas num grupo-piloto.
- Novas versões do software de gestão, até o fornecedor confirmar compatibilidade.
- Controladores e firmware sem correções de segurança.
“Esperar” não é “esquecer”: cada exceção tem uma data e um responsável.
Quem decide — e quem executa
Uma política de atualizações cabe numa página e responde a quatro perguntas:
- A administração aprova os prazos e a janela de manutenção. É uma decisão de risco, não técnica.
- O IT executa e regista: o que foi atualizado, quando e com que resultado.
- Os fornecedores de software confirmam compatibilidade antes das versões grandes.
- Os utilizadores reiniciam quando é pedido. Um reinício adiado é uma correção por aplicar.
Esta política faz parte de uma lógica de manutenção preventiva: é muito mais barato agendar do que reagir.
A janela de manutenção, em concreto
A Microsoft publica as correções de segurança mensais do Windows na segunda terça-feira de cada mês, e lança correções extraordinárias quando há necessidade excecional. Isto permite um calendário simples:
- Semana 1 após a publicação — correções aplicadas a um grupo-piloto de 3 a 5 computadores.
- Semana 2 — se nada falhou, aplicação ao resto da empresa, fora do horário de maior trabalho.
- Servidores — numa janela fixa mensal, sempre com backup verificado antes.
- Urgências — falhas exploradas na firewall ou na VPN não esperam pela janela: tratam-se no próprio dia.
E há equipamentos que já não têm correções. O Windows 10 deixou de ter suporte a 14 de outubro de 2025: se ainda o tem na empresa, leia o que fazer com o fim do suporte do Windows 10. Um inventário atualizado — como o da nossa checklist de auditoria ao parque informático — é o ponto de partida.
Um caso real: monitorizar para não ter de adivinhar
A Boost Portugal, empresa de turismo com 12 marcas e operação em Lisboa, Porto, Douro e Madrid, tem com a DataRoad um contrato anual de avença mensal que inclui monitorização contínua de todos os seus sistemas de informação, com monitorização remota, alarmística e relatórios de disponibilidade. O contrato cobre ainda backups, a central telefónica, a gestão de VPN e a redundância de internet com passagem automática para a segunda ligação.
A lição para o tema das atualizações é simples: não se atualiza o que não se vê. Com os sistemas monitorizados, sabe-se que equipamentos existem, em que versão estão e quais ficaram para trás. A diferença entre esta abordagem e esperar que algo avarie está explicada em monitorização proativa vs suporte reativo.
Perguntas frequentes
As atualizações automáticas não chegam?
Para o browser e as aplicações de escritório, quase sempre chegam. Para a firewall, a VPN e os servidores, não: precisam de alguém que acompanhe os avisos dos fabricantes, planeie a intervenção e confirme que tudo voltou a funcionar.
E se uma atualização estragar alguma coisa?
É para isso que servem o grupo-piloto e o backup antes de atualizar servidores. Se algo falhar, falha em poucos computadores e há forma de voltar atrás. O risco de não atualizar é, em regra, muito maior.
Porque é que a firewall e a VPN têm prioridade máxima?
Porque estão viradas para a internet. Qualquer pessoa no mundo consegue tentar ligar-se a elas, e as falhas nestes equipamentos são procuradas de forma automática pouco depois de serem publicadas.
O que faço com computadores que já não recebem atualizações?
Isole-os da rede principal enquanto não forem substituídos e planeie a troca por ordem de risco: primeiro os que acedem a dados de clientes, à faturação ou à internet sem restrições.
Relatório de atualizações em atraso em 5 dias úteis
Verificamos a firewall, o acesso remoto, os servidores e uma amostra dos postos de trabalho, cruzamos com as falhas conhecidas e entregamos a lista do que corrigir primeiro. Para empresas com mais de 10 postos · contrato de assistência · suporte remoto, local e telefónico. A gestão de atualizações faz parte dos planos IT Unlimited — no Essential, o serviço é remoto e telefónico e as deslocações ao local são orçamentadas à parte; no Premium, a assistência no local está incluída. A vigilância permanente está no nosso serviço de monitorização e NOC.
Atualizações em atraso: relatório em 5 dias úteis
Saiba que falhas estão abertas na sua empresa e por onde começar.
Fontes
- Verizon — 2026 Data Breach Investigations Report, Executive Summary
- CISA — Known Exploited Vulnerabilities Catalog
- Microsoft Learn — Ciclo de lançamento de atualizações do Windows
- Microsoft Learn — Ciclo de vida do Windows 10 (fim de suporte a 14 de outubro de 2025)
Projetos e casos de sucesso da DataRoad
Na DataRoad, a tecnologia é paixão. Gostamos mesmo do que fazemos, e isso nota-se em cada rede que instalamos, em cada problema que resolvemos e em cada empresa que apoiamos.

































































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